Menos oponentes, mais atitude! 
Varios participantes têm manifestado a sua curiosidade quanto às diferenças do FH para o SH e como prometido aqui fica uma primeira Poker Note dedicada precisamente a este tópico.
Pegando pelo óbvio, as mesas Shorthand são mesas onde o limite máximo de jogadores é de 6 o que desde logo tem duas implicações base: a probabilidade de um dos adversários construir uma determinada mão é inferior - ou dito de outra forma, a probabilidade dos adversários no seu conjunto terem falhado a sua mão é maior; outra, o custo médio de cada Flop é superior dado que cada ronda é constituída por um máximo de seis mãos das quais, duas delas nos encontraremos nas Blinds.
Daqui resulta que não só os jogadores tendam a ver mais Flops como tal prática se justifica totalmente: o valor relativo de cada mão sobe (logo mãos que justificariam hipoteticamente um fold em FH podem justificar um call ou mesmo um raise em SH), existe proporcionalmente mais dinheiro morto em cada pote e um jogo demasiado tight e conservador poderá não permitir sequer que se cubram as Blinds.
Na realidade, a simples redução do número de jogadores leva a que o jogo seja abordado de uma forma significativamente diferente, com recurso a práticas e técnicas diversas do Full Hand. Por conseguinte, a acção nas mesas é bastante superior constituindo o grande atractivo destas mesas sobre a maior parte dos jogadores.
Uma outra consequência, digamos lateral, mas que confesso que muito me agrada particularmente é o facto deste tipo de mesa se tornar obviamente inapropriado para os «caçadores de bónus» que tendem a praticar um jogo demasiado conservador - na expectativa de minimizar as perdas e arrecadar os Bónus - tornando as mesas que populam muito pouco apetecíveis com percentagens médias de vistas de Flops demasiado baixas e potes verdadeiramente miseráveis. Uma completa desgraça para quem se senta com o intuito de... jogar Poker!
Gostaria no entanto de chamar a atenção para um conjunto de aspectos que se encontram naquele grupo que os jogadores na sua maioria - em particular os menos experientes - tendem a não valorizar suficientemente. Sinto sempre que quando se discute se a mão x ou y deve ser jogada aqui ou acolá todos os olhos se arregulam e todos se preocupam em assimilar tais conceitos. No entanto, quando se trata da escolha de mesa, dos limites, da gestão da banca ou da abordagem psicológica ao jogo, não só os jogadores tendem a sub-valorizar tais aspectos como muitas vezes a dar passos maiores do que as pernas. A consequência de tal atitude é que a certa altura de nada lhes serve efectuar uma boa selecção de mãos se de seguida ou porque se encontram a jogar acima dos seus limites e a sua banca se ressente limitando-lhes a margem de manobra ou ainda porque simplesmente cedem psicologicamente face à pressão superior, não são depois capazes de tomar a decisão mais adequada.
De nada adianta o jogador saber qual a melhor opção se, por condicionalismos vários, não tem depois a fibra para tomar essa mesma decisão na situação real de jogo.
Quase todos os jogadores serão capazes de tomar decisões minimamente razoáveis - nem sempre as óptimas - quando meditam em determinada situação de jogo no plano teórico, em abstracto. No entanto, a maior parte tenderá a falhar bastante mais em situação real de jogo, sobre pressão. E faço esta referência aqui não só porque a considero importantíssima no Poker em geral mas também porque a considero ainda mais importante em Short-Hand dado que o jogo é agora menos mecânico e mais psicológico quando comparado com o Full-Hand.
A maior diferença na abordagem ao jogo entre o Short e o Full-Hand eu definiria como uma diferença de atitude.
Assim e sabendo que as oscilações da vossa banca tendem a ser superiores em Short-Hand - algo de que devem estar bem conscientes quando experimentarem esta versão do Texas Holdem - deixo as seguintes ressalvas nas quais entendo pois que devem meditar cuidadosamente antes de abordarem este formato de jogo:
Dispor de uma Banca saudável que permita aguentar as maiores oscilações que este tipo de jogo implica, que não condicione ou limite as vossas decisões ou simplesmente que vos deixe perante uma perda irrecuperável por falta de fundos;
Dispor da firmeza psicológica para passar incólume essas mesmas oscilações sem que se ressinta o tipo de jogo praticado pelo próprio jogador;
Dominar práticas e técnicas de jogo como o Bluff, o Semi-Bluff, o uso da posição, a agressividade e a leitura do tipo de jogo praticado pelo adversário. Aspectos que terão de desenvolver na vossa evolução como jogadores de Shorthand mas com os quais devem estar minimamente familiarizados pois são as armas mais fortes do Shorthand.
Como se poderá deduzir, considero menos importante a selecção de mãos em Shorhand - na realidade ela é tão menos importante quanto menor o número de jogadores envolvidos ao ponto de, no limite, em head-to-head se puder ir a jogo virtualmente com todas as cartas que não seria por aí que o jogo ficaria comprometido.
Menos importante é também o cálculo das odds. Não sendo de descurar em absoluto, não se poderão prender às odds e desistir de lutar pelas mãos apenas porque não têm odds suficientes. Na realidade, não terão as odds suficientes mais vezes do que acontece em Full-Hand mas não será por essa razão que devem abdicar de lutar pelos potes. Lembrem-se: a probabilidade dos vossos adversários terem construído uma mão digna de registo é inferior logo podem não precisar sequer das vossas outs para vencerem a mão. Se mostrarem fragilidade acabarão outros jogadores mais astutos por vos roubar os potes de que abdicam de lutar por falta de outs.
Indo até um pouco mais longe deixo aliás um conselho: paguem para ver alguns showdowns mesmo que saibam que provavelmente vão perder , em especial quando estão de fresco na mesa. Primeiro, isso transmitirá a mensagem de que não vos podem roubar potes facilmente. Segundo, obtêm uma informação muito preciosa: o que é que o vosso adversário detinha na mão, o que vos permitirá perceber que tipo de jogador é ele. Terceiro, com um pouco de sorte os vossos oponentes tomar-vos-ão por calling stations ou simplesmente maus jogadores do que também poderão vir a recolher benefícios em jogadas futuras.
Na próxima crónica continuaremos ainda em torno deste tema...
Marco António
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